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Supremo Tribunal Federal Constituição da República Federativa do Brasil Documento 1 de 13 Título II Dos Direitos e Garantias Fundamentais.
Capítulo I Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
“V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;”
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BUDISMO Fonte: http://www.budismo.com.br/bud1.htm O que é Budismo
O Budismo é a denominação dada aos ensinamentos do Buda. Seus ensinamentos possibilitam as próprias pessoas a se tornarem Budas. Não existem distinções entre a divindade (O Buda) e a humanidade (mortais comuns). O Buda representa o Iluminado, isto é, a pessoa que descobriu o aspecto real da vida do universo, que rege a humanidade e os demais seres vivos. O Buda, que intuitivamente reconheceu esta realidade básica dentro de sua vida, é a pessoa que verdadeiramente conhece a si própria. Através da história da filosofia, a máxima de Sócrates "Conheça a ti mesmo" manteve-se como um dos maiores temas carentes de solução. O Budismo que surgiu centena de anos antes de Sócrates, já havia dado uma resposta concreta, mas infelizmente foi obscurecido pelas tendências ocultista dos primitivos crentes. O Budismo mostra que a realidade da vida está contida equitativamente em todos os seres humanos. Assim que compreendermos este fato seremos automaticamente levados a respeitar a dignidade de todas as pessoas, concomitantemente passaremos a entender a necessidade de suas próprias vidas. Desta forma o Budismo incentiva-nos a uma prática altruísta, isto é ensinar e auxiliar os outros a descobrirem a realidade que existe inata em suas próprias vidas para que possam conduzir uma vida verdadeiramente feliz. Esta prática que conduz nas pessoas ao estado de Buda e aqueles que assim procedem são denominados "bodhisattvas". A força motriz que excita neles o desejo de auxiliar os outros é a compaixão profunda imparcial e infinita característica do Buda, chamado "jihi". Segue-se que os dois objetivos lançados pelo Budismo são a concretização do estado de Buda e o cumprimento da missão de "bodhisattva". A visão Budista da natureza humana, ensina que o homem em sua essência não é nem bom nem mau, podendo tornar-se bom ou mau conforme sua conduta. Algumas escolas mahayanistas como a Tein-tau e Nichiren ensinam que tanto no homem não realizado como no iluminado subsistem lado a lado fatores negativos e positivos. Segundo essas escolas o homem plenamente realizado não é o que extirpou seus elementos negativos, mas sim o que os desenvolveu de uma maneira positiva, integrando-os harmoniosamente com os positivos. (A HBS segue essa linha, aliada a fé no Myoho que o conduzirá a essa condição). Quem foi Buda O termo "Buda" é um título, não um nome próprio. Significa "aquele que sabe", ou "aquele que despertou", e se aplica a alguém que atingiu um superior nível de entendimento e a plenitude da condição humana. Foi aplicado, e ainda o é, a várias pessoas excepcionais que atingiram um tal grau de elevação moral e espiritual que se tranformaram em mestres de sabedoria no oriente, onde se seguem os preceitos budistas. Porém o mais fulgurante dos budas, e também o real fundador do budismo, foi um ser de personalidade excepcional, chamado Sidarta Gautama.Siddharta Gautama, o Buddha, nasceu no século VI a. C. (em torno de 556 a. C.), em Kapilavastu, norte da Índia, no atual Nepal. Ele era de linhagem nobre, filho do rei Suddhodana e da rainha Maya. Logo depois de nascido, Sidarta foi levado a um templo para ser apresentado aos sacerdotes, quando um velho sábio, chamado Ansita, que havia se retirado à uma vida de meditação longe da cidade, aparece, toma o menino nas mãos e profetiza: "este menino será grande entre os grandes. Será um poderoso rei ou um um mestre espiritual que ajudará a humanidade a se libertar de seus sofrimentos". Suddhodana, muito impressionado com a profecia, decide que seu filho deve seguir a primeira opção e, para evitar qualquer coisa que lhe pudesse influenciar contrariamente, passa a criar o filho longe de qualquer coisa que lhe pudesse despertar qualquer interesse filosófico e espiritual mais aprofundado, principalmente mantendo-o longe das misérias e sofrimentos da vida que se abatem sobre o comum dos mortais. Para isso, seu pai faz com que viva cercado do mais sofisticado luxo. Aos dezesseis anos, Sidarta casa-se com sua prima, a bela Yasodhara, que lhe deu seu único filho, Rahula, e passa a vida na corte, desenvolvendo-se intelectual e fisicamente, alheio ao convívio e dos problemas da população de seu país. Mas o jovem príncipe era perspicaz, e ouvia os comentários que se faziam sobre a dura vida fora dos portões do palácio. Chegou a um ponto em que ele passou a desconfiar do porquê de seu estilo de vida, e sua curiosidade ansiava por descobrir por que as referências ao mundo de fora pareciam ser, às vezes, carregadas de tristeza. Contrariamente à vontade paterna - que tenta forjar um meio de Sidarta não perceber diferença alguma entre seu mundo protegido e o mundo externo -, o jovem príncipe, ao atrevessar a cidade, se detém diante ante a realidade da velhice, da doença e da morte. Sidarta entra em choque e profunda crise existencial. De repente, toda a sua vida parecia ser uma pintura tênue e mentirosa sobre um abismo terrível de dor, sofrimento e perda a que nem mesmo ele estava imune. Sua própria dor o fez voltar-se para o problema do sofrimento humano, cuja solução tornou-se o centro de sua busca espiritual. Ele viu que sua forma de vida atual nunca poderia lhe dar uma resposta ao problema do sofrimento humano, pois era algo artificialmente arranjado. Assim, decidiou, aos vinte e nove anos, deixar sua família e seu palácio para buscar a solução para o que lhe afligia: o sofrimento humano. Sidarta, certa vez, em um dos seus passeios onde acabara de conhecer os sofrimentos inevitáveis do homem, encontrara-se com um monge mendicante. Ele havia obervardo que o monge, mesmo vivendo miseravelmente, possuia um olhar sereno, como de quem estava tranquilo diante dos revezes da vida. Assim, quando decidiu ir em busca de sua iluminação, Gautama resolveu se juntar a um grupo de brâmanes dedicados a uma severa vida ascética. Logo, porém, estes exercícios mortificadores do corpo demonstraram ser algo inútil. A corda de um instrumento musical não pode ser retesada demais, pois assim ela rompe, e nem pode ser frouxa demais, pois assim ela não toca. Não era mortificando o corpo, retesando ao extremo os limites do organismo, que o homem chega à compreensão da vida. Nem é entregando-se aos prazeres excessivamente que chegará a tal. Foi ai que Sidarta chegou ao seu conceito de O Caminho do Meio : buscar uma forma de vida disciplinada o suficiente para não chegar à completa indulgência dos sentidos, pois assim a pessoa passa a ser dominada excessivamente por preocupações menores , e nem à autotortura, que turva a consciência e afasta a pessoa do convívio dos seus semelhantes. A vida de provações não valia mais que a vida de prazeres que havia levado anteriormente. Ele resolve, então, renunciar ao ascetismo e volta a se alimentar de forma equilibrada. Seus companheiros, então, o abandonam escandalizados. Sozinho novamente, Sidarta procura seguir seu próprio caminho, confiando apenas na própria intuição e procurando se conhecer a si mesmo. Ele procurava sentir as coisas, evitando tecer qualquer conceitualização intelectual excessiva sobre o mundo que o cercava. Ele passa a atrair, então, pessoas que se lhe acercam devido a pureza de sua alma e tranquilidade de espírito, que rompiam drasticamente com a vaidosa e estúpida divisão da sociedade em castas rígidas que separavam incondicioanalmente as pessoas a partir do nascimento, como hoje as classes sociais e dividem estupidamente a partir da desigual divisão de renda e, ainda mais, de berço. Diz a lenda - e lendas, assim como mitos <http://www.geocities.com/Vienna/2809/mitos.html> e parábolas, resumem poética e figuradamente verdades espirituais e existenciais - que Sidarta resolve meditar sob a proteção de uma figueira, a Árvore Bodhi. Lá o demônio, que representa simbolicamente o mundo terreno das aparências sempre mutáveis que Gautama se esforçava por superar, tenta enredá-lo em dúvidas sobre o sucesso de sua tentativa de se por numa vida diferente da de seus semelhantes, ou seja, vem a dúvida sobre o sentido disso tudo que ele fazia. Sidarta logo se sai dessa tentativa de confundí-lo com a argumentação interna de que sua vida ganhou um novo sentido e novos referenciais com sua escolha, que o faziam centrar-se no aqui e agora sem se apegar a desejos que lhe causaria ansiedade. Ele tinha tudo de que precisava, como as aves do céu tinham da natureza seu sutento, e toda a beleza do mundo para sua companhia. Mas Mara, o demônio, não se deu por vencido, e, ciente do perigo que aquele sujeito representava para ele, tenta convencer Sidarta a entrar logo no Nirvana - estado de consciência além dos opostos do mundo físico - imediatamente para evitar que seus insights sobre a vida sejam passados adiante. Aí é possível que Buda tenha realmente pensado duas vezes, pois ele sabia o quanto era difícil as pessoas abandonarem seus preconceitos e apegos a um mundo resumido, por elas mesmas, a experiências sensoriais. Tratava-se de uma escolha difícil para Sidarta: o usufruto de um domínio pessoal de um conhecimento transcendente, impossível de expor facilmente em palavras, e uma dedicação ao bem-estar geral, entre a salvação pessoal e uma árdua tentativa de partilhar o conhecimento de uma consciência mais elevada com todos os homens e mulheres. Por fim, Sidarta compreendeu que todas as pessoas eram seus irmãos e irmãs, e que estavam enredaddos demais em ilusórias certezas para que conseguissem, sozinhos, uma orientação para onde deviam ir. Assim, Sidarta, o Buda, resolve passar adiante seus conhecimentos. Quando todo o seu poder argumentativo e lógico de persuasão falham, Mara, o mundo das aparências, resolve mandar a Sidarta suas três sedutoras filhas: Desejo, Prazer e Cobiça, que apresentam-se como mulheres cheias de ardor e ávidas de dar e receber prazer, e se mostram como mulheres em diferentes idades (passado, presente e futuro). Mas Sidarta sente que atingiu um estágio em que estas coisas se apresentam como ilusórias e passageiras demais, não sendo comparáveis ao estado de consciência mais calma e de sublime beleza que havia alcançado. Buda vence todas as tentativas de Mara, e este se recolhe, à espreita de um momento mais oportuno para tentar derrotar o Buda, perseguindo-o durante toda a sua vida como uma sombra, um símbolo do extremo do mundo dos prazeres. Sidarta transformou-se no
Buda em virtude de uma profunda transformação interna, psicológica e
espiritual, que alterou toda a sua perspectiva de vida. "Seu modo de
encarar a questão da doença, velhice e morte mudo porque ele mudou" (Fadiman
& Frager, 1986). Quando completa oitenta
anos, Buda sente seu fim terreno se aproximando. Deixa instruções
precisas <doutr.htm> sobre a atitude de seus discípulos a partir de
então: Buda morreu em Kusinara, no bosque de Mallas, Índia. Sete dias depois seu corpo foi cremado e suas cinzas dadas as pessoas cujas terras ele vivera e morrera.
SUTRA LOTUS (HOKEKYOU) Assim como a Bíblia é para os católicos, a Sutra da Flor de Lotus é para nós o livro sagrado de 28 capítulos. Buda após ter atingido a iluminação, durante 50 anos pregou vários ensinamentos e o último foi a Sutra Lotus. Ele próprio diz que a Sutra Lotus é a conclusão de todos os ensinamentos pregados até então. Sendo os outros expostos anteriormente, simples degraus ou ensinamentos provisórios. A Sutra Lotus é dividida em duas partes: "Shakumon" e "Honmon" (cada uma com 14 capítulos). A essência desta doutrina entretanto, está contida nos primeiros 8 capítulos dos ensinamentos do "Honmon". No Sutra Lotus é elucidada duas verdades essenciais: que os seres são absolutamente iguais perante os ensinamentos na sua capacidade de atingir a iluminação e que o verdadeiro Buda (Hombutsu) já havia alcançado a luminação num passado muito remoto (era Kuon).
BUDA A cidade onde outrora viveu o grande asceta Kapila era toda serenidade e magnificencia. Suas muralhas pareciam nuvens de luz e suas mansoes e jardins dir-se-ia que estava construida sobre pedacos de ceu. Aas pedras preciosas eram prodigiosamente abundantes; nao se conhecia ali nem mesmo a escuridao nem a pobreza. De noite, os raios da luz banhavam as casas de prata e a cidade se transforma em um lago de lirios; durante o dia, os raios de sol, ao cair sobre o ouro dos terracos, pareciam tremular sobre um rio de lotus.
O rei Suddhodana reinava em Kapilavastu e constituia seu maior ornamento. Hospitaleiro e liberal, ignorava o orgulho e praticava justica. Vencia os inimigos mais poderosos, que tombavam nas batalhas com elefantes fulminados por Indra. O brilho de sua gloria fazia desaparecer os malvados assim como desapareciam as profundas trevas ante os raios penetrantes do sol. Iluminava o mundo, e mostrava a seus familiares o caminho a seguir. Sua sabedoria lhe havia conquistado inumeraveis amigos valorosos e prudentes que, tal como o resplendor das estrelas acrescenta encanto `a luz da lua, realcava com a sua claridade o esplendor real.
Suddhodana, rei nascido da raca dos Sakayas, desposou varias rainhas. Entre elas, a primeira era Maya.
Possuia tal beleza que ao ve-la acreditar-se-ia que era a propria Lakshmi afastada de seu divino rebanho. Sua voz parecia a dos passaros quando chega a primavera, e somente pronunciava palavras harmoniosas e doces; seus cabelos tinham a cor da abelha negra; seus olhos eram ternos como os renovos do lotus azul, e suas sobrancelhas de arco perfeito jamais se contraiam. Sua fronte era pura como o diamante.
Era virtuosissima. Desejava a felecidade de seus suditos e era docil `as piedosas ensinancas dos mestres. Sua conduta nao tinha dobrezas; nao sabia mentir.
O rei Suddhodana e a rainha Maya viviam ditosos e tranquilos em Kapilavastu.
Certo dia, a rainha depois de banhar-se ungiu de perfume seu corpo, vestiu sua tunica mais tenue e luminosa e cobriu os bracos de suntuosas predarias. Em seus tornozelos tilintavam argolas. No rosto lhe floresciam a alegria, e assim foi ao encontro do rei.
Achou-o em um salao, sentado entre musicos que encantavam com amaveis cancoes sua pacifica sonolencia. Maya sentou-se `a direita de Suddhodana e falou-lhe:
- Senhor, digna-te de ouvir-me, o' profeta da terra! digina-te te conceder-me a graca que te pedirei.
- Fala, rainha -, respondeu Suddhodana - Que queres de mim?
- Senhor, a nosso redor existem seres que sofrem. Sinto piedade pelos sofrimentos do mundo. Não quero causar danos aos que assim vivem; quero preservar meus pensamentos de toda impureza; e visto que evito o que para mim e' um mal e sou boa para comigo mesma, quero cuidar dos demais, ser bondosa com eles. Renunciarei a todo momento de orgulho, o' rei, e não obedecerei aos maus desejos. Jamais direi palavras vãs ou indignas. Daqui em diante, Senhor, minha vida será' austera; jejuarei e não albergarei a malevolência, a crueldade, a inquietude, nem o ódio, a fúria ou a cobiça; estarei contente com minha sorte, não mentirei jamais, ignorarei a inveja; serei pura; irei pelo caminho reto e me inclinarei para as obras virtuosas. Vê porque meus olhos sorriem e a alegria posou em meus lábios.
Calou-se por um instante. O rei contemplava-a com terna admiração. Ela prosseguiu:
- Senhor, respeita a austeridade de minha vida, não entres na selva confusa do desejo; permita-me observar largamente a piedosa lei do jejum. Ocuparei os aposentos que se encontram no alto do palácio, onde se elevam os cisnes; que ali seja preparado para mim um leito semeado de flores, um leito suave e perfumado. Minhas amigas permanecerão a meu lado, mas que sejam afastados os eunucos, os guardas e as servas grosseiras. Não quero ver rostos feios, nem ouvir canções vulgares, nem sentir odores desagradáveis.
Não falou mais. O rei lhe respondeu:
_ Que assim seja! Concedo-te a graça que me solicitas.
E ordenou:
- Que no lugar mais elevado do palácio, ali onde canta a voz dos cisnes, se levante para a rainha um leito de flores deliciosas, e que embalada pelo sensitivo rumor de cordas sonoras ela se estenda adornada de raras jóias. E as mulheres que a rodearem crerão ver uma filha dos deuses nos jardins do céu!
A rainha ergueu-se:
- Bem senhor, disse - Escuta-me ainda. Liberta os prisioneiros. Da' aos pobres abundantes esmolas. Que os homens, que as mulheres e as crianças sejam felizes! Não inflijas nenhum castigo e, para a alegria do mundo, o' rei, olha como pai a todas as criaturas!
A seguir retirou-se da sala e encaminhou-se para o cume da mansão real.
A primavera estava por chegar. Os pássaros sobrevoavam os terraços e rompiam os cantos sobre as arvores. Os jardins floresciam, e nos entanques se abriam opulentemente os lotus. E enquanto a rainha ascendia ao seu ditoso retiro, liras e flautas, sem que ninguém as tocasse, ressoaram com puríssima harmonia, e sobre o palácio brilhou uma grande luz, uma luz perfeita que tornou sombria a claridade solar.
No momento mesmo em que nascia e primavera, Maya, adormecida, teve um sonho.
Viu um elefante novo que baixava do céu. Era branco como a neve da montanha e tinha seis poderosos colmilhos. Maya sentiu que entrava em seu seio, e milhares de deuses lhe apareceram; cantavam em sua hora loas imperecedouras, e Maya compreendeu que já' não existia nela nem inquietude, nem ódio, nem cólera.
Ao despertar estava plena de verdadeira alegria, como ate' então nunca estivera. Levantou-se, vestiu seus mais claros trajes, e com as donzelas mais formosas saiu do palácio; atravessou os jardins e foi sentar-se `a sombra de um pequeno bosque. A seguir enviou ao rei Suddhodana duas de suas mulheres que deviam dizer-lhe: "Que o rei vá' ao bosque; a rainha Maya quer vê-lo e o espera".
O rei atendeu prontamente `a mensagem. Abandonou a sala onde, com seus conselheiros, ministrava justiça aos habitantes da cidade, e dirigiu-se ao bosque. Mas, no momento em que ia penetrar nele, experimentou uma estranha emoção; suas pernas fraquejaram, suas mãos tremiam e seus olhos estavam prestes a romper em pranto. Pensou:
- Nunca, nem mesmo ao enfrentar no meio da batalha os mais bravos inimigos, nunca, me senti tão transtornado como agora. Não posso entrar nesse bosquezinho onde a rainha me espera. Que tenho? Quem me dirá' a causa de meu desassossego?
Nesse instante uma voz potente ressoou no céu:
- Ditoso es tu, rei Suddhodana, ótimo entre os Sakyas! Aquele que busca a ciência suprema deve nascer entre o homem que elegeu para si a tua família como a de mais nobre linhagem, a mais afortunada e a mais pura; e como mãe, elegeu a melhor das mulheres, a tua esposa, rainha Maya. Ditoso es tu, Suddhodana ! Aquele que busca a ciência suprema quis ser teu filho!
O rei advertiu que os deuses lhe falavam, e regozijou-se. Seus passos tornaram-se seguros , e entrou no bosque onde Maya o aguardava.
Avistou-a, e sem orgulho, muito docemente, disse-lhe: _ Por que me chamaste? Que desejas de mim? Então a rainha narrou-lhe o sonho que tivera aquela noite, e acrescentou:
- Senhor, faz que venham aqui brâmanes expertos na interpretação de sonhos. Eles saberão se entrou no palácio o bem ou o mal, se devemos alegrar-nos ou entristecer-nos.
O rei assentiu a estas palavras da rainha, e foram chamados ao palácio os brâmanes que possuíam o mistério dos sonhos. Quando Maya terminou seu relato, eles falaram:
_ O' rei, o' rainha! Ambos tereis um altíssimo gozo. Ha' de nascer-lhes um filho, marcado com os signos do poder magnânimo. Se um dia ele renunciar `a realeza, se abandonar o palácio, se rejeitar o amor, se embargado de piedade pelo universo, adotar a vida errante dos religiosos, merecera' oferendas triunfais, merecera' maravilhosos louvores. Será' adorado pelo universo porque aquietara' sua infinita angustia. O' senhor, o' senhora! Vosso filho será' um Buda.
Os bramines se retiraram. O rei e a rainha contemplavam um ao outro e seus rostos estavam cheios de feliz beleza e de paz. Suddhodana fez distribuir pródigas esmolas em Kapilavastu; os que tinham fome, foram alimentados, os que tinham sede, tiveram o que beber; as mulheres receberam flores e essências perfumadas. Todos experimentavam prazer ao contemplar Maya. Os enfermos se comprimiam `a sua passagem, pois com o só' estender para eles sua mão direita, os curava; os cegos enxergavam, os surdos ouviam, os mudos falavam.
Se os moribundos tocavam as fibras que ela recolhia,voltavam-lhe de imediato a forca e a saúde.
Sobre a cidade, uma brisa errante vibrava melodiosamente. O céu derramava rosas e jasmins divinos. Ascendiam ate' a mansão real jubilosos cânticos de gratidão.
Passaram-se os meses. e um dia, a rainha soube que era chegado o tempo em que seu filho devia nascer. Chamou o rei Suddhodana e disse-lhe:
- Senhor, quero passear pelos jardins murmurantes onde a felicidade esvoaça, os pássaros gorgolejam nas arvores e o ar cintila com o po' dourado das flores. Quero passear pelos jardins!
- Mas. o' rainha, não temes a fadiga do passeio?
- O ser puro que levo em mim deve nascer rodeado pela pureza das flores recém abertas. Devo ir, o senhor, devo ir ate' os mágicos jardins floridos.
O rei não resistiu ao desejo de Maya, e disse aos seus servidores:
- Corram ate' os jardins e os engalanem com prata e ouro. Façam pender das arvores véus recamados. Que tudo esteja em festa `a passagem da rainha!
Depois, voltando-se para Maya, prosseguiu:
- Veste hoje teus mais esplendorosos trajes, o' Maya. Senta-te numa liteira suntuosa, que tuas mulheres mais formosas transportarão. Que tuas servidoras vistam roupas perfumadas e se adornem com colares de pérolas e braceletes de pedras furta-cores; que toquem alaúdes, tambores e flautas e suas canções tenham tal doçura que os próprios deuses te encantem.
Suddhodana foi obedecido, e quando a rainha apareceu no umbral do palácio, os guardas receberam-na com gritos alvoroçados. As campanas repicavam gloriosamente; os pavões reais estenderam a grinalda viva de suas caudas; os cisnes cantavam.
Maya fez deter sua liteira num bosque de arvores floridas. Desceu e começou a caminhar plenamente feliz. E eis que viu diante de si uma arvore, pequena e compacta jóia de flores, cujos ramos caiam vencidos pelo fragrante peso. Aproximou-se dela e com sua mão graciosa atraiu um ramo. De súbito, ficou imóvel. E as mulheres que a acompanhavam receberam em seus barcos um formoso menino. A mãe sorria.
Nesse instante, todos os seres viventes estremeceram de alegria. A terra tremeu. No céu ressoaram cantos e danças. As arvores de todas as estações estavam coalhadas de flores abertas e de frutos maduros. Raios de sossegada pureza iluminaram o céu. Os enfermos já' não sofriam; os famintos foram saciados; aqueles a quem as bebidas haviam extraviado recobraram a lucidez; os loucos recuperaram a razão; os pobres encontraram ouro; as portas das prisões se abriram; os maus já' não conheciam a maldade.
Uma das mulheres de Maya correu ate' o rei Suddhodana e exclamou:
- Senhor, senhor, acaba de nascer-te um filho, um filho que trará' a sua casa honra sem par!
- O rei não pode responder. Sua face se iluminou de alegria, e compreendeu a felicidade.
Logo ordenou a todos os Sakyas que se reunissem com ele e o acompanhassem ao jardim onde acabava de nascer a criança. Os Sakayas obedeceram, formando um cortejo magnificente. Uma multidão de brâmanes os seguia.
Quando se aproximaram do menino, o rei inclinou-se e disse:
- Inclinai-vos como me inclino diante do príncipe a quem dou o nome de Siddhartha.
Todos se inclinaram, e os brâmanes, inspirados pelos deuses, cantaram:
- Os caminhos por onde peregrinam os homens já' não são ásperos; as criaturas são ditosas, pois nasceu aquele que traz a felicidade: ele dará' ao mundo.
Entre as trevas surgiu uma grande luz; o sol e a lua parecem extinguir-se, pois nasceu aquele que traz a luz; ele a dará' ao mundo. Os cegos vêem, os surdos ouvem, os insensatos recuperam a razão; ele dará' olhos, ouvidos e razão ao mundo. A brisa balsâmica acalma os sofrimentos dos seres, pois nasceu aquele que cura: ele dará' a saúde ao mundo. As chamas já' não são cruéis, os rios comovidos detiveram seu curso, a terra tremeu docemente, nasceu aquele que contempla a verdade.
Asita, o grande asceta, conheceu, em virtude da sua grande austeridade, o nascimento daquele que mais tarde salvaria as criaturas da dor de renascer. E como sentia sede da boa lei, apressou-se em ir ate' a morada do rei Suddhodana. Com passo firme foi ate' as dependências das mulheres. Tinha a autoridade grave da ciência e a que confere a ancianidade.
O rei o honrou de acordo com as normas, e lhe falou como convinha:
- Quão feliz sou! Na verdade esta criança - minha raça - gozara' de grandes favores, visto que o venerável Asita veio ate' aqui com o desejo de ver-me. Ordena: Que devo fazer? Sou teu discípulo e teu servidor.
O asceta, com os olhos cheios de alegre luz, falou com voz profunda:
- Isto acontece em tua morda, rei generoso, rei liberal, rei hospitaleiro, porque amas o dever e teu pensamento e' afetuoso para com os sábios e os anciãos. Isto aconteceu em tua morada porque, mais que em terras, mais que em ouro, teus antepassados foram ricos em virtude. Já' que minha chegada te regozija, o' rei, hás de saber a razão. Escutai no ar uma voz divina que dizia: "Nasceu um filho ao rei dos Sakayas, um filho que possuirá' a ciência verdadeira." Escutei estas palavras e aqui estou para contemplar o luzeiro dos Sakayas.
O rei, cheio de jubilo, foi em busca do menino. Tomou-o do seio de sua ama de leite e mostrou ao ancião Asita.
O asceta advertiu que o filho do rei tinha os sinais da onipotência. considerou-o longamente, e em suas pestanas brilhavam as lagrimas. Suspirou e levantou os olhos ao céu.
O rei percebeu que Asita chorava, e afligiu-se por seu filho. Interrogou o ancião:
- Dizes: o' ancião, que apenas por seu corpo meu filho difere de um Deus. Dizes que seu nascimento e' maravilhoso, anuncias que no futuro alcançará' uma gloria suprema; contudo, o contemplas com os olhos cheios de lagrimas. Acaso sua vida será' frágil? Terá' nascido para meu pesar? Este rebento de minha raça secar-se-a antes de se abrirem suas flores? Fala, o' santo ancião, fala rápido: tu sabes que afeto sentem os pais por seus filhos.
- Não te aflijas, o' rei -, respondeu o ancião - E' indubitável o que te disse: esta criança alcançará' a verdadeira gloria. Se choro e' por mim mesmo. Eis que se aproxima o tempo de minha partida, e acaba de nascer aquele que saberá' destruir o mal de renascer. Teu filho abandonara' o poder real, vencera' os sentidos, compreendera' a verdade e, sol da sabedoria, brilhara' no mundo e aniquilara' as trevas do extravio. Salvara' o mundo que sofre em meio ao oceano do mal, da espuma das enfermidades da marejada velhice, das ondas ferozes da morte, e o levara' na grande barca da sabedoria. Conhecera' a fonte do rio rápido, admirável, benfeitor, do rio do dever; descobrira' seu curso , e os seres vivos, atormentados pela sede, virão beber de suas águas. Aos que a dor atormenta, aos que vivem subjulgados pelos sentidos, aos que vagam na selva amaranhada das existências, ensinara' o caminho da salvação como a viajantes que perderam a rota. Para aqueles a quem o fogo das paixões incendeia, será' a nuvem que brinda a fresca chuva. Marchara' ate' a prisão dos desejos, onde gemem as criaturas, e rompera' a porta tenebrosa com o escudo da boa lei. Possuidor de toda a inteligência, saberá' liberar o mundo. Por conseguinte, o' rei, não sintam nenhum pesar. So' ha' que compadecer-se daquele que não poderá' escutar a voz de teu filho; eis porque choro, eu, que apesar de minhas penitencias, apesar de minhas meditações, não conhecerei jamais sua palavra nem sua lei. Ah! Que miserável e' ainda aquele que conquistou um lugar nos mais altos jardins do céu!
Inicialmente, as palavras de Asita alegraram Suddhodana. "Meu filho - discorria - vai viver, e vivera' com extremada gloria." Mas depois, refletindo, chegou a preocupar-se: diziam que o príncipe ia abandonar o trono e levar a vida dos ascetas; desapareceria, pois, com el a raça de Suddhodana?
O desgosto do rei não durou, porque desde o nascimento de Siddhartha triunfava em tudo quanto empreendia. como um rio cujo caudal e' aumentado por infinitos arroios, assim crescia seu tesouro dia a dia; sua cavalariças eram pequenas para os cavalos e elefantes com que o presenteavam e, continuamente via-se rodeado por inumeráveis e sinceros amigos. A fertilidade estendia-se por todo o reino e nas pradarias vacas e gordas e fecundas pastavam. As mulheres davam `a luz com toda a felicidade; os homens não se afrontavam em vãs querelas, e todos no pais de Kapilavastu vivam com a paz e a alegria sobre os lábios.
A rainha Maya não pode suportar longo tempo a ventura que lhe proporcionou seu filho; tinha este sete dias somente, quando Maya morreu para a terra e ascendeu ao céu para morar com os deuses.
Maya tinha uma irmã, Mahaprajapati, quase tão bela e virtuosa como ela. Encarregaram-na de educar o príncipe, e assim o fez, dedicando-lhe tão piedosos cuidados como se fora seu próprio filho. E, semelhante ao fogo que se agita com o veto favorável, semelhante `a lua, rainha das estrelas na quinzena luminosa, semelhante ao jovem sol quando se levanta no oriente sobre as montanhas, Siddhartha crescia.
Todo o mundo se comprazia em oferecer-lhe preciosos dons. Recebeu toda espécie de brinquedos apropriados para a primeira infância: animaizinhos, gazelas, elefantes, cavalos, vacas, pássaros, peixes e também pequenas carruagens de todo o estilo; mas esses brinquedos não eram nem de madeira nem de argila, eram de ouro e de diamante. Presenteavam-no, ademais, com suntuosos tecidos e jóias, colares de pérolas e braceletes de pedras preciosas.
Certo dia, quando brincava num jardim perto da cidade, Mahaprajapati pensou: "Já' e' tempo de ensinar-lhe a usar braceletes e colares." E os servidores foram em busca de adornos com que o haviam obsequiado. Mahaprajapati pôs-lhe os mesmos nos braços e no pescoço, mas não se notava que tinha jóias sobre si; era tal o resplendor da luz que emanava do infante real, que o ouro e as pedras preciosas não brilhavam. E a Deusa que habitava entre as flores do jardim acercou-se de Mahaprajapati e lhe falou:
- Se a terra toda fosse de ouro, bastaria para empanar seu esplendor um só' raio projetado pelo corpo desse menino, futuro guia do mundo. A luz das estrelas e da lua, a própria luz do sol, deixam de ser luminosas quando este menino se adorna com sua própria luz. Que necessidade tem ele de jóias, obras vulgares de joalheiros e ourives? Mulheres, tirai-lhe esses colares, tirai-lhe esses braceletes! Mais servem para adornar escravos. Estes que vedes, será' dono de pedrarias de verdadeira pureza: seus pensamentos.
Mahaprajapati escutou as palavras da Deusa; despojou o príncipe dos braceletes e colares, e não se cansava de admirá-lo.
Chegou o tempo em que o príncipe Siddhartha deveria ser conduzido ao templo dos deuses. O rei ordenou que as ruas e os mercados fossem soberbamente adornados, e que por toda parte ressoassem tambores e campanas argentinas. Enquanto Mahaprajapati o vertis com seus trajes mais belos, o menino lhe perguntou:
- Mãe, para onde me conduzes?
- Ao templo dos deuses, filho meu - respondeu ela.
Então o menino esboçou um sorriso e deixou-se conduzir junto a seu pai.
O cortejo era magnifico. Iam nele os brâmanes da cidade, os guerreiros e os chefes dos mercadores; numerosos guardas os seguiam, e os Sakyas rodeavam a carruagem do príncipe e do rei. Nas ruas semeadas de flores se queimavam e um mar de insígnias e bandeiras se agitava.
O rei chegou ao templo. Tomou Siddhartha pela mão e o guiou ate' o salão onde estavam as estatuas dos deuses. No momento em que o menino pôs o pé' no umbral, as estatuas se animaram, e todos os deus, Siva, Skanda, Vichnu, Kuvera, Indra, Brahma, levantaram-se e caíram de joelhos. E assim cantaram:
- O Meru, rei dos montes, não se inclina diante do grão de trigo; o oceano não se inclina ante o charco que a chuva formou; o sol não se inclina diante do vaga-lume: diante dos deuses. Semelhante ao grão de trigo, semelhante ao charco da chuva, semelhante ao verme reluzente, e' o homem ou o deus que persiste no orgulho; semelhante ao monte Meru, semelhante ao oceano, semelhante ao oceano, semelhante ao sol, e' aquele que possuirá' a sabedoria suprema. Que o mundo lhe renda homenagem, e o mundo será' liberto! |
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